O intercâmbio au pair é um programa de intercâmbio cultural nos Estados Unidos em que jovens de 18 a 26 anos moram com uma família anfitriã, ajudam nos cuidados com as crianças e, em troca, recebem acomodação, alimentação, uma remuneração semanal e a oportunidade de estudar em uma faculdade americana. Tudo isso amparado pelo visto J-1, na categoria Au Pair, regulamentado pelo Departamento de Estado dos EUA.
É importante entender o programa pelo que ele realmente é: não é só “trabalhar cuidando de criança fora”. É um projeto de vida com três dimensões que andam juntas: morar em outra cultura, estudar em uma instituição americana e ter uma renda para se manter durante o ano.
Como é um intercâmbio, a colocação depende de sponsor e família anfitriã, e os valores mudam com o tempo. Por isso, o caminho certo é verificar a sua elegibilidade, não contar com garantias.
Neste guia você vê, com fonte e data, os requisitos reais (corrigindo alguns mitos), quanto se ganha, como é a rotina com a família e por que o lado “morar e estudar” pesa tanto quanto o trabalho.
O que é o programa au pair e como funciona o visto
O programa au pair é uma modalidade de intercâmbio cultural criada pelo Departamento de Estado dos EUA. A palavra “au pair” vem do francês e significa “em pé de igualdade”: a ideia é que você seja recebida como um membro da família, e não como uma funcionária doméstica.
Na prática, você vive na casa da família anfitriã (host family), cuida das crianças dentro de uma jornada regulada e, em contrapartida, tem quarto, alimentação, um valor semanal e verba para estudar. É por isso que o programa é classificado como intercâmbio, e não como emprego comum no exterior.
O amparo legal é o visto J-1, categoria Au Pair, previsto na regulamentação americana (22 CFR 62.31). Esse visto existe justamente para promover troca cultural: você conhece o modo de vida americano e leva a sua cultura para dentro de uma família dos EUA.
Vale a distinção honesta: sim, há trabalho remunerado envolvido, mas o objetivo declarado do programa é o intercâmbio. Isso muda a lógica da decisão: você não vai apenas “ganhar dinheiro”, você vai morar, estudar e construir repertório internacional.
Quais são os requisitos para ser au pair (corrigindo os mitos)
Os requisitos au pair são objetivos e existem para proteger tanto a au pair quanto a família. Antes de listar, vale desmontar as confusões mais comuns, porque muita gente desiste (ou aplica sem perfil) por informação errada.
- Idade: entre 18 e 26 anos na data de início do programa.
- Escolaridade: ensino médio concluído.
- Inglês: proficiência em inglês falado, o suficiente para conversar e cuidar das crianças com segurança. Não é preciso ser fluente ou ter certificado avançado.
- CNH: carteira de motorista válida, porque muitas rotinas dependem de dirigir (levar e buscar crianças); vale entender também como funciona a carteira de motorista internacional para dirigir nos EUA.
- Experiência com crianças: 200 horas documentadas de cuidado infantil; sobe para 500 horas para quem for cuidar de crianças menores de 2 anos.
- Investigação de antecedentes: checagem de referências (ao menos 3 referências), verificação de antecedentes criminais.
- Exame físico e entrevista pessoal em inglês como parte do processo de seleção.
Três mitos que atrapalham. Primeiro: “preciso ser fluente”. Não: o exigido é inglês falado funcional, e o próprio ano melhora muito o idioma. Segundo: “é trabalho doméstico”. Não: o foco é o cuidado infantil dentro de um intercâmbio cultural, não faxina ou tarefas gerais da casa. Terceiro: “não preciso de experiência”. Precisa sim: as horas documentadas com crianças são um requisito, não um detalhe.
Fonte dos requisitos: Departamento de Estado dos EUA / BridgeUSA e 22 CFR 62.31, jul/2026 (sujeitos a atualização).
Quanto ganha uma au pair nos EUA e quais os benefícios
Esta é a dúvida mais pesquisada: quanto ganha uma au pair. A remuneração semanal mínima (chamada de stipend) é de US$ 195,75, definida por uma fórmula da própria regulamentação, e não por negociação livre com a família.
Esse valor vem do salário mínimo federal dos EUA (US$ 7,25/hora) multiplicado por 45 horas semanais, com desconto de 40% referente a quarto e alimentação, que a família já oferece. Ou seja, o “salário” convive com benefícios em espécie: você não paga moradia nem comida.
A tabela abaixo resume o que o programa prevê. Trate os números como referência datada, não como promessa: valores são reajustados e podem variar conforme o sponsor.
| Item | O que o programa prevê (jul/2026) |
|---|---|
| Remuneração semanal (stipend) | Mínimo de US$ 195,75 |
| Componente educacional | Até US$ 500 pagos pela família; mínimo de 6 semester hours de curso |
| Jornada de trabalho | Até 10 horas por dia e 45 horas por semana |
| Folgas | 1,5 dia por semana + um fim de semana completo por mês |
| Férias | 2 semanas remuneradas |
| Acomodação e alimentação | Fornecidas pela família anfitriã |
| Seguro-saúde | Geralmente incluído pelo programa |
| Duração | 12 meses, com extensão de 6, 9 ou 12 meses |
| Taxa SEVIS (I-901) | US$ 35 |
Valores e regras de jul/2026, fonte: Departamento de Estado dos EUA / BridgeUSA e 22 CFR 62.31 (sujeitos a atualização). A remuneração é mínima e regulamentada, mas não é fixa nem garantida e pode ser reajustada; confirme os valores vigentes antes de decidir.
Como é a rotina com a família anfitriã
A jornada é limitada por regra: no máximo 10 horas por dia e 45 horas por semana. Isso existe para que o programa continue sendo intercâmbio, com tempo real para estudar, conviver e conhecer o país, e não uma jornada de trabalho sem fim.
As folgas também são definidas: pelo menos 1,5 dia de descanso por semana, um fim de semana completo livre por mês e 2 semanas de férias remuneradas ao longo do ano. Na prática, é esse espaço que permite viajar, fazer amizades e viver os EUA de dentro.
O dia a dia costuma girar em torno da rotina das crianças: levar à escola, acompanhar atividades, preparar refeições simples delas, brincar e cuidar. Você não é responsável pela casa inteira nem por tarefas domésticas gerais: o combinado é o cuidado infantil.
Morar com a família é parte central da imersão. Você tem quarto próprio, participa da vida da casa e vivência o cotidiano americano de forma que nenhum curso de idioma reproduz. É a diferença entre visitar um país e viver nele.
O lado “morar e estudar”: o componente educacional
Um ponto que muita gente ignora: estudar não é opcional no programa au pair, é obrigatório. Você precisa cumprir no mínimo 6 semester hours de curso em uma instituição de ensino americana (geralmente uma faculdade ou community college) ao longo do ano.
Para viabilizar isso, a família anfitriã paga o custo dos cursos até US$ 500. Esse é o componente educacional do programa, e é o que reforça o caráter de formação: você volta com inglês mais forte, créditos cursados e repertório acadêmico internacional.
É esse desenho que faz do au pair mais do que um trabalho temporário. Somando imersão na família, estudo formal e uma renda para se sustentar, o ano vira um degrau real de trajetória: pessoal, acadêmica e de carreira.
Se o seu objetivo maior é seguir estudando fora depois, vale mergulhar no guia completo do au pair e enxergar cada etapa (idioma, intercâmbio, graduação) conectada com critério.
Duração, extensão e taxas do programa
O programa au pair dura 12 meses inicialmente. Depois desse primeiro ano, é possível pedir extensão de 6, 9 ou 12 meses, o que permite chegar a até 2 anos de experiência, sempre sujeito à aprovação e às regras do programa.
Sobre custos, a taxa obrigatória mais citada é a SEVIS (formulário I-901), de US$ 35 para a categoria au pair. É uma taxa do governo americano ligada ao registro do seu visto J-1, diferente das taxas de programa/sponsor, que variam.
A acomodação é fornecida pela família anfitriã durante todo o período, e o seguro-saúde costuma estar incluído pelo programa. Como esses termos podem mudar por sponsor e por ano, confirme o que está coberto antes de fechar qualquer decisão.
Taxas e prazos de jul/2026, fonte: Departamento de Estado dos EUA / BridgeUSA e 22 CFR 62.31 (sujeitos a atualização).
Como ser au pair: o passo a passo
Quem quer entender como ser au pair costuma imaginar um processo nebuloso, mas ele segue uma sequência lógica. O primeiro ponto é que você não aplica sozinha: o programa exige um sponsor autorizado pelo Departamento de Estado, que faz a intermediação com as famílias.
O caminho, em linhas gerais, é este:
- Checar o perfil: confirmar idade (18 a 26), ensino médio concluído, inglês falado, CNH e as horas de experiência com crianças.
- Reunir a documentação: referências, verificação de antecedentes criminais e exame físico.
- Passar pela entrevista pessoal em inglês, parte da seleção.
- Fazer o match com a família anfitriã, etapa em que perfil, rotina e expectativas precisam combinar dos dois lados.
- Cuidar do visto J-1 e da taxa SEVIS, com o embarque programado depois da aprovação.
Nada disso é garantia automática: cada etapa depende de elegibilidade e de aprovação. É exatamente por isso que orientação especializada faz diferença: para você aplicar com o perfil certo e sem retrabalho.
Um recado honesto sobre o perfil do programa: tradicionalmente, o au pair é ocupado por mulheres, e a maioria dos sponsors nos EUA aceita candidatas mulheres, com poucas opções disponíveis para homens. Isso é uma característica do mercado do programa, não uma regra da IE. Se você é homem e tem interesse, vale checar as vagas específicas disponíveis no momento.
Au pair x ser babá nos EUA: qual a diferença
Muita gente pesquisa como trabalhar de babá nos Estados Unidos sem saber que, legalmente, o caminho para brasileiros costuma ser justamente o programa au pair. Ir cuidar de crianças nos EUA por conta própria, sem o visto adequado, significa trabalhar de forma irregular, com risco real.
O au pair é a forma regulamentada de fazer esse tipo de cuidado infantil com respaldo: visto J-1, jornada limitada, folgas, estudo obrigatório e acomodação. É a diferença entre uma situação frágil e um projeto com estrutura.
Se a sua busca começou por aí, vale entender a fundo o que significa ser babá nos EUA dentro da lei, e por que, na prática, o programa au pair é a resposta para quem quer fazer isso com segurança.
Perguntas frequentes sobre intercâmbio au pair
Não. O requisito é proficiência em inglês falado, o suficiente para conversar e cuidar das crianças no dia a dia. Fluência avançada não é exigida, e o próprio ano de imersão costuma elevar bastante o seu nível.
A remuneração semanal mínima é de US$ 195,75, além de acomodação, alimentação e verba de estudo. Esse valor é regulamentado e datado (jul/2026, fonte: Departamento de Estado dos EUA / BridgeUSA); pode ser reajustado e não deve ser tratado como garantia.
Tradicionalmente o programa é ocupado por mulheres, e a maioria dos sponsors aceita candidatas mulheres, com poucas vagas para homens. É uma característica do programa, não uma regra da IE. Se você é homem e tem interesse, vale verificar as opções disponíveis no momento.
É a forma legal de fazer cuidado infantil nos EUA como brasileira. Ir de babá por conta própria, sem o visto adequado, é irregular. O au pair oferece visto J-1, jornada regulada, folgas, estudo e acomodação.
São 12 meses iniciais, com possibilidade de extensão por mais 6, 9 ou 12 meses, chegando a até 2 anos. A extensão está sujeita a aprovação e às regras do programa.
Sim. São exigidas 200 horas documentadas de cuidado infantil, número que sobe para 500 horas quando o cuidado envolve crianças menores de 2 anos.
Descubra se o programa au pair é para você
Agora você já entende o intercâmbio au pair pelo que ele realmente é: um projeto que junta morar com uma família americana, estudar em uma instituição dos EUA e ter uma renda regulamentada durante o ano, tudo com o amparo do visto J-1, e não como impulso ou trabalho informal.
A parte difícil não é sonhar com o programa, é acertar cada etapa: perfil, documentação, experiência comprovada, match com a família e visto. Atendendo estudantes brasileiros desde 1998, com mais de 100 mil pessoas acompanhadas e selo BELTA, a IE traduz o programa au pair em um processo orientado de ponta a ponta, com requisitos claros e sem promessas que ninguém controla.
Verifique os requisitos do programa au pair e fale com um consultor para descobrir se o seu perfil se encaixa e quais são as próximas etapas, com valores e vagas atualizados, sem compromisso.


